O EXEMPLO DE ISRAEL

Edivaldo Boaventura

Chegando de um seminário sobre Israel e o Oriente Próximo, na Universidade Hebraica de Jerusalém, desejo compartilhar as impactantes impressões da visita a um país moderno, democrático, com notável desenvolvimento científico e tecnológico e muita determinação política.

Israel afirma-se pelo seu passado bíblico, de Abrahão a Ben Gurion já lá vão alguns séculos de existência como nação. Nação que se formou ao longo do tempo com patriarcas, juízes, reis, destaque-se o rei David, que fixou a capital em Jerusalém. Sofreu o cativeiro de assírios e babilônios e a dominação romana, bizantina, árabe, dos cruzados, dos otomanos, por fim, esteve sob mandato britânico. Com a volta do povo judeu à terra de Israel, foi proclamado o Estado, em 1948. Começaram, então, as lutas pela afirmação da independência com guerras e depois com tratados de paz.

O reconhecimento dos direitos históricos do povo judeu, pela ONU, há 60 anos, confirmou a sua tradição de cultura, máxime da música, a inclinação para a ciência e a tolerância religiosa pela convivência com diferentes crenças e povos, com os drusos, por exemplo.

A bíblica nação retornou ao seu território e tornou-se um Estado soberano e progressista.

País moderno que assegura uma política de bem-estar social, com infraestrutura de serviços básicos e sobretudo com segurança.

Anda-se livremente de dia e de noite sem receio de assalto, tanto na high tech cidade de Tel-Aviv como na antiga, bela e harmônica Jerusalém, especialmente no convidativo bairro árabe e no mercado judeu. Em nenhuma parte me senti temeroso. A modernidade iguala efetivamente os gêneros com as mulheres fazendo o serviço militar e gozando de uma real e visível equiparação.

O país moderno, ladeado por uma sociedade tradicional, encontra-se em uma encruzilhada de três continentes. Vendo-se o mapa, percebe-se logo a confluência da Europa, Ásia e da África, sim, com a turística cidade de Eilat no Mar Vermelho.

Com os palestinos surgem os desafios para a paz. Como resolvê-los? Há possibilidades e oportunidades de encaminhamentos na Cisjordânia (West Bank). Com a Faixa de Gaza a situação continua muito tensa. Não obstante a segurança, os foguetes lançados alcançam a cidade de Sderot. Crianças e adultos foram atingidos e mortos pelos Kassams e por outros mísseis. O governo israelense constrói abrigos nos pontos de ônibus, nos colégios, nos edifícios de apartamentos e nas casas.

O Estado de Israel constituiu-se um praticante da democracia desde a declaração de independência. Uma democracia parlamentar tem à frente o Knesset, o parlamento israelense de uma só câmara, com 120 deputados, que retirou nome e número da assembleia convocada por Esdras e Nehemias, no século V A.C. Orna-lhe o saguão o extraordinário painel do pintor judeu-russo Marc Chagall uma evocação ao profeta Isaías.

Pela democracia israelense se compreende o respeito e o acatamento às diversas culturas e religiões: árabes muçulmanos; beduínos, que constituem aproximadamente 10% da população muçulmana; árabes cristãos; drusos, comunidade muçulmana separada religiosa e culturalmente.

Em Jerusalém, há inúmeras denominações religiosas, como os judeus messiânicos, armênios, primeiro povo que aceitou o cristianismo, cristãos católicos e outros.

Tudo isso conduz, finalmente, ao singular desempenho científico israelense. Desde o começo, houve vontade de transformar a terra árida e infestada de doenças com aplicação da pesquisa científica e tecnológica.

A investigação agrícola, que remonta ao final do século XIX, é um sucesso com o gotejamento e outras técnicas. A pesquisa médica e especificamente em saúde alcançou a mais alta qualificação. As atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são realizadas pelas sete universidades, por institutos, empresas civis e militares, nos setores prioritários das ciências naturais, engenharia, agricultura e medicina. O primeiro chip para computador foi desenvolvido pelo Dr. Dov Frohman, da equipe da Intel, nos anos 70. Israel é líder mundial em fibras óticas e na energia solar. Os produtos derivados de P&D constituem mais da metade da pauta de exportações industriais.

 

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