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set 4 10

John Russell-Wood, um galês-baiano

by admin
Foto de Carlos Casaes Ag. A Tarde 22/10/2002

Foto de Carlos Casaes Ag. A Tarde 22/10/2002

Faz 35 anos que vi John Russell-Wood pela primeira vez. Eramos quatro: meus filhos Paulo Roberto (10) e Andréa (12), nossa empregada Eulina e eu. O dr. Knight, com o qual me correspondi até chegar à The Johns Hopkins University (JHU) levou-nos ao seu gabinete. Apresentou-me a ele, que seria o orientador do meu doutorado.

Tensa, mas sem preâmbulos, eu disse: professor, preciso de um apartamento, com urgência. E de escola para os meus filhos.

Silêncio. O que ele quis dizer mostrou-nos no azul dos seus olhos que se tornou tão intenso quanto o do mais profundo dos oceanos. Telefonou para o Housing Office; depois, para a Saint Paul and John School. Em minutos, fez o meu drama desaparecer.

Estilo britânico, voltou-se para Eulina e perguntou: E ela o que deseja? Respondi: Ela disse que quer se casar com um americano. Retrucou: Sinto, mas não posso ajudar.

Volte aqui na próxima semana.

Reanimada, retornei ao seu gabinete, como ordenara. Pegou uma caderneta, anotou e disse: no fim deste mês me entregue um ensaio, comparando a política das coroas portuguesa e espanhola para com suas colônias.

E na próxima semana, compareça ao The Atlantic Seminar.

Saí petrificada. Esse seminário reunia os departamentos de História e Antropologia.

Eu mal havia chegado, o meu inglês era sofrível e ele me dizia para participar de seminário interdisciplinar e ainda pedia um ensaio em inglês! Saí correndo, gritando dentro de mim: meu Deus, morro aqui e ninguém ficará sabendo. O que será dos meus filhos? A breve referência a esse episódio revela três fortes traços do Dr. Russell-Wood: disciplina férrea, paixão pelos estudos comparativos, e pela interdisciplinaridade.

Mas oculta a maior de suas virtudes: a generosidade.

Aos poucos descobri que aquela atitude inicial era uma máscara de cera que foi-se derretendo ao calor da sua generosidade e amizade incondicional. Só então pude entender porque os alunos daquele campus haviam-no eleito o melhor e mais popular professor, conforme registrado no jornal da JHU.

Estudos sobre o Brasil

Tive o apoio de Russel-Wood na fase mais difícil da minha vida.

Com ele mergulhei na árdua tarefa de historiadora, sempre priorizando as fontes primárias.

Toda a sua vida dedicou ao estudo do Brasil colonial, destacando a Bahia e envolvendo Portugal.

Para isso navegou sete mares e palmilhou cinco continentes.

Ganhou visão dinâmica e abrangente revelada nos seus trabalhos.

O primeiro, Fidalgos e filantropos, tem sido incessantemente aplaudido. Lançado em 1968, dele só tivemos versão em português em 1982! Se outros dois estão em português, devemos a Portugal, e não ao Brasil, embora do nosso país tenha recebido a Ordem do Rio Branco. Em Portugal e o mar, um mundo entrelaçado, publicado em inglês, espanhol e português (1998), desenvolve a fascinante tese de que o mar foi elemento de integração do vasto império português, e não de separação, como até então se pensava.

Nesse mesmo ano saiu Um mundo em movimento: os portugueses na África, Ásia e América, pelo qual recebeu o cobiçado Prêmio Dom João de Castro.

Que triste não tenhamos em nossa língua outros livros seus, como The Black man in slavery and freedom in Colonial Brazil, já na 4ª edição. Não conheço em português nenhum dos 98 artigos que publicou por exemplo (se traduzido): Classe, credo e cor na Bahia colonial: um estudo de preconceito (1967); Irmandades de pretos e mulatos no Brasil colonial (1974); Mulher e sociedade no Brasil colonial (1977).

Compreende-se que John tivesse desenvolvido físico atlético.

Só assim poderia ostentar as muitas honrarias e prêmios recebidos, entre os quais, o de benemérito da Sta. Casa da Misericórdia; o de membro correspondente da Academia de Letras da Bahia; o de cidadão de Salvador, Câmara Municipal; o de sócio correspondente do IGHB. Essas instituições e a Fundação Pedro Calmon estarão prestando homenagem póstuma, no próximo dia 11 de novembro, a esse galês-baiano que nos deixou rico legado.

Atrigo de CONSUELO NOVAIS SAMPAIO Dra. em História pela The Johns Hopkins University

Fonte: Jornal A Tarde

ago 30 10

Entrevista de Paulo Costa Lima

by admin

Entrevista concedida à revista Muito. Uma publicação semanal do Jornal A Tarde (BA).

Revista MUITO #126 29/08/2010
TEXTO: VITOR PAMPLONA FOTO:MARCO AURELIO MARTINS

Paulo Costa Lima

Paulo Costa Lima


Um dos maiores nomes da música erudita na Bahia, o compositor Paulo Costa Lima é um dos remanescentes do movimento que colocou Salvador no mapa da vanguarda musical entre as décadas de 1950 e 1970, quando a Universidade Federal da Bahia atraiu músicos como Walter Smetak, Hans-Joachim Koellreutter e Ernst Widmer. Ligado ao chamado Grupo de Compositores da Bahia, ele comemorou em 2009 quatro décadas de música, nas quais compôs mais de 80 obras.

Em meio ao trabalho de compositor e professor, exerceu cargos na direção da universidade e na Prefeitura de Salvador, onde presidiu a Fundação Gregório de Mattos entre 2005 e 2008. Pensador da educação e da cultura, foi o primeiro músico eleito para uma vaga na Academia de Letras da Bahia, há sete meses.

No prédio da Escola de Música da Ufba, o compositor de 55 anos falou da carreira, do desafio de ensinar arte, das dificuldades na gestão da cultura em Salvador e de sua mais nova criação: uma sinfonia inspirada num pagode. “Uma ideia musical pode estar em qualquer lugar“, diz. Leia a entrevista.

O senhor completou 40 anos de música no ano passado. Qual balanço faz? É, já estou parecendo um fantasma na Escola deMúsica. As paredes daqui têm cheiro, e era um cheiro muito forte em 1969, quando entrei. Diminuiu, mas às vezes ainda consigo sentir. Começa nessas coisas menores e vai até o arco geral. Ter visto, aos 14 anos, Ernst Widmer atuando.

Ter estudado com Lindembergue Cardoso, Jamary Oliveira, Fernando Cerqueira (integrantes do Grupo de Compositores da Bahia). Depois, ter ido estudar nos EUA, voltar como professor, assumir a liderança da escola e exercer postos na universidade. São muitas fases. Me sinto jovem, mas ao mesmo tempo maduro.

Compositor é uma profissão que trabalha com a esperança de que os sistemas artísticos não virem meramente comunicativos.

Trabalha contra essa tendência maldita de a arte virar publicidade, que acaba fazendo aparecer só o lado do mercado, de vender. Esse processo dá a sensação de que é preciso lutar, mas como? Não adianta se fechar em vanguardas e fazer patrulhas. É preciso lutar de uma forma inventada.

Como? É possível ensinar arte? A rigor, não se ensina a criar. Mas a verdade é que se aprende. Então, se se aprende, é possível de ser ensinado.

Veja o caso de Agnaldo Ribeiro, compositor daqui, nosso professor.

Ele entrou na escola um pouco antes de mim. De 1969 para 1973, Agnaldo virou um compositor que todo mundo olhava, principalmente depois da obra Korpus-et-Antikorpus.

Aquilo aconteceu. Quem teve ideia de que ia acontecer? Só Ernst Widmer (diretor da Escola deMúsica na época). Agnaldo não tocava piano direito. Não queriam que ele entrasse na escola. Widmer insistiu, pois via o outro lado. Portanto, é delicada essa questão do ensino da arte. Porque, de alguma forma, nosso destino como sociedade está amarrado à capacidade de criar. Você cria um ambiente, apresenta coisas e, de repente, um aluno está fazendo o que você não esperava. É misterioso.

O senhor foi pró-reitor de Extensão da Ufba de 1996 a 2002, quando desenvolveu projetos de interação social, como o Ufba em Campo. A academia continua distante da sociedade? Já houve uma mudança relevante. Mas a natureza do problema é reconhecer que o conhecimento está em todos os lugares. A origem das universidades está nos mosteiros da Idade Média. Entrava-se para se isolar, ler os clássicos e meditar. Depois passou a ser uma coisa ligada à produção capitalista. Mas agora estamos entrando numa fase em que tudo vai depender da relação com o conhecimento.

Quando você tem conhecimento de que em Salvador há 1.250 terreiros de candomblé, você tem uma rede de formação em percussão de 1.250 centros.

Apergunta é: devemos dialogar com esta rede? Ela pode ser feita em outras áreas.

Devem as faculdades de engenharia e arquitetura dialogar com a arquitetura de informais, que na verdade fizeram a cidade quase toda? Como dialogar de forma que todos ganhem? É uma questão ainda em aberto, embora tenha havido avanços.

Acho, por exemplo, que as cotas são um passo importante nesse sentido porque, embora não toquem na metodologia, incluem um público com experiências diferentes.

Mas a própria Escola de Música ignora, de certa forma, a música popular.

Não tenha dúvida de que a resistência é também interna. Mas nada impede que possa haver mais diálogo com a chamada música popular e disso resultar novas experiências.

O senhor foi presidente da Fundação Gregório de Mattos no primeiro mandato do prefeito João Henrique. A área cultural tem sido problemática no município e está há quase um ano com um gestor interino, o secretário da Educação. Desconfia do porquê dos problemas? Existe um problema grande na questão do orçamento. Comparando Recife com Salvador, a verba de cultura lá é 30 vezes maior. Quando eu era gestor, eram R$ 60 milhões, enquanto aqui R$ 6 milhões, mas só se aplicavam R$ 2 milhões. E há um déficit enorme na estrutura. Por que isso aconteceu? Houve mais investimento no Estado quando o grupo político era o mesmo? É uma hipótese.

O fato é que a estrutura municipal ficou pequena. Quando se colocam nessa problemática 3 milhões de pessoas com direito a ações culturais, o problema fica ainda maior.

Somos uma cidade cultural por excelência, e isso pode ter influência enorme sobre geração de empregos, turismo, tudo. Quando vamos ter essas transformações? Não sei.

Como foi sua infância? O senhor tinha músicos na família? Não. A música entrou em minha casa com o violão. No começo dos anos 60, com os Beatles, Jovem Guarda e MPB, meu irmão começou a aprender violão. Eu tinha 11 anos e meu pai me obrigou a aprender também. Mas rapidamente fiquei fã do violão.

Aí, aos 14 anos, quis aprender piano. Mas quando cheguei à Escola de Música, o piano era muito disputado, não tinha vaga. Aí disseram que se eu aprendesse trompa me ensinavam piano suplementar. Ora, precisavam de quem tocasse trompa! E lá fui eu para a trompa (risos).

Depois, as bancas de revistas começaram a vender discos de grandes compositores. Quando Bach entrou na minha casa, foi um impacto. Essa é a minha experiência. Se houver acesso a outras coisas, é preciso muito esforço para que as pessoas gostem apenas das mesmas coisas. Ouvir só um tipo de música é na verdade industrial.

Temos que lutar contra a homogeneização.

O senhor é cronista, teve coluna em A TARDE e colabora com o site Terra Magazine. Quando começou a escrever? Comecei em 1981, em A TARDE, com uma coluna chamada Música em Pauta. O que determinou minha vontade de escrever foi um professor que tive nos EUA, chamado Herbert Brün, alemão judeu que fugiu do nazismo. Ele trabalhava com a ideia de que composição é uma coisa só, seja onde for. É imaginar sistemas que não foram ainda realizados. Daí, quando voltei para Salvador, criei um grupo de composição com a fala, o Fala Massa, que fez muito sucesso. E a palavra ficou. Já escrevi mais de 300 crônicas. Virou uma forma de conversa.

Numa crônica recente, o senhor fala da questão de ter discípulos. É uma preocupação? Essa é uma questão forte na música popular, cujos líderes deixam seguidores. Por exemplo, Caetano Veloso fala de fulano, que fica associado a ele. Na música erudita, há um mito maior, o da imortalidade. O compositor quer que sua obra fique, sei lá para quê. Mas ninguém precisa deixar discípulos.
Estou muito contente com meus não-discípulos, por exemplo, os da OCA (Oficina de Composição Agora, grupo de compositores criado por Paulo Lima): PauloRios, Alex Pochat, Joélio Santos, Túlio Augusto. Prometem muito.

Mas se tiver discípulos, que obra sua gostaria que ficasse? Rapaz… (pensa). A próxima! (risos).

Amúsica erudita está em menor atividade em Salvador? No mundo, há uma certa crise da música chamada erudita, ao menos nos formatos tradicionais. Mas não acho que haja menos interesse. Estamos numa fase de arrumação. Precisamos de mais gente na base da pirâmide tocando, para no topo aparecer a qualidade. O projeto Neojibá, por exemplo, é interessante. O fator limitante maior é a educação.

Mas nos círculos ditos mais cultos, a música erudita não tem estado menos presente? Minha produção tem rodado por aí. Ziriguidum, uma peça minha, foi executada este ano em vários concertos na Europa e EUA. Não acho que a luta deva ser por um estilo, contra o que está na mídia. Tratada com carinho, Rebolation pode ser uma sinfonia. Estou compondo uma peça que se chama justamente Rebolatio (corruptela de Rebolationem latim). É baseada num pagode de meu filho Maurício, compositor demúsica para Carnaval. Ouvi amúsica e falei: isso pode virar outra coisa. Ou seja, u ma ideia musical pode estar em qualquer lugar e conversar com outras, resultando em visões críticas. É disso que precisamos.

ago 27 10

Encontros Literários da ALB #10

by admin

EL10

Encontro entre a acadêmica escritora Cleise Mendes e o poeta feirense Roberval Pereyr, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana, na décima edição dos Encontros Literários da Academia de Letras da Bahia.

As comentaristas convidadas foram Adelice Souza e Nildecy Bastos de Miranda.

ago 24 10

Seminário Narrativas e Viagens do Junco ao Mundo

by admin

Seminário Antônio Torres

Seminário em homenagem a um dos maiores escritores baianos da atualidade. O evento contará com a presença do escritor, que fará um depoimento e ministrará uma oficina literária. Vários estudiosos (professores, pesquisadores, mestrandos e graduandos) apresentarão comunicações sobre diversos aspectos da obra de Antônio Torres. O evento é aberto a estudantes de letras e leitores em geral.

ago 17 10

Vida e obra de Óscar Ribas

by admin

oscarribas

ago 9 10

Luis Henrique Dias Tavares e a Bahia de 1798

by admin

Foto de Haroldo Abrantes / Ag. A Tarde

Foto de Haroldo Abrantes / Ag. A Tarde

Na próxima quinta-feira, 12, o acadêmico Luis Henrique Dias Tavares lançará seu mais novo livrro. Abaixo a reprodução da reportagem e entrevista publicada no Jornal A Tarde desta segunda-feira.

Uma revolta atual

MARCOS DIAS

Chegara o momento final. Os tambores e cornetas abafaram o som dos sinos. Manuel Faustino foi carregado por quatro soldados e levado ao patíbulo.

Com o rosto coberto, o carrasco já esperava no alto. Tinha o laço aberto nas mãos. Um soldado cobriu o rosto de Manuel Faustino.

Tudo foi muito rápido.

A cidade era Salvador. O ano, 1799. Manuel, 16 anos, era um dos quatro revoltosos que foram enforcados na Praça da Piedade, ao lado do também alfaiate João de Deus, e os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga.

Esse último, responsabilizado pelos panfletos que surgiram na cidade em 12 de agosto de 1798 e diziam, entre outras coisas: “Animai-vos Povo baiense que está para chegar o tempo feliz da nossa Liberdade: o tempo em que todos seremos irmãos: o tempo em que todos seremos iguais”.

Na próxima quinta-feira, completam 212 anos daquela que ficou conhecida como a Sedição de 1798, Revolta dos Alfaiates, Inconfidência Baiana ou Revolução dos Búzios, e será lançado no Instituto Geográfico e Histórico, às 18 horas, o livro paradidático Bahia, 1798, do historiador e escritor natural de Nazaré das Farinhas Luis Henrique Dias Tavares, 84.

Escravidão O crime de que os revoltosos foram acusados pela Rainha portuguesa Maria I era o de incitar a população, na época cerca de 40 mil pessoas, a libertar a Bahia dos portugueses, proclamar uma república federativa e lutar contra a escravidão.

”É parte da minha história ter dedicado muita atenção e tempo da minha vida para que seja reconhecido o movimento de 1798 e honrada a memória dos nossos quatro mártires”, afirma o professor. Para ele, que considera o racismo uma doença do ser humano, sua posição é única: “Sou contra o autoritarismo e o preconceito, a favor da democracia e de que todos os brasileiros são brasileiros, não importando a cor”.

Com ilustrações do artista gráfico Cau Gomez, ilustrador do jornal A TARDE, Dias Tavares também agrega a intenção de que o livro chegue às mãos de professores e alunos, como um novo pedido para que História da Bahia volte ao ensino médio.

O motivo é tão elementar quanto essencial: ”Para que o jovem entre na vida sabendo o que é ser baiano e o que representa a Bahia no conjunto do Brasil”.

LANÇAMENTO DO LIVRO BAHIA, 1798, DE LUIS HENRIQUE DIAS TAVARES / DIA 12, A PARTIR DAS 17H30, NO INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DA BAHIA (PIEDADE)

TODOS OS TEMAS DE HISTÓRIA ESTÃO PERMANENTEMENTE ABERTOS

Foi com propósitos educacionais que o historiador e Professor Emérito da Ufba, Luis Henrique Dias Tavares, 84, escreveu o livro paradidático Bahia, 1798, que será lançado nesta quinta, a partir das 17h30, no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. A renda do livro, que será vendido no dia por R$ 20, será doada pelo autor ao próprio IGHB, do qual é sócio há 50 anos. Doutor Honoris Causa da Ufba,compós-doutorado na London University, é dele o clássico História da Bahia (11ª edição, Edufba/Unesp), além de livros de crônica e ficção, como Moça sozinha na sala (1960) e a novela Não foi o vento que levou(1996).Atualmente, além de se debruçar sobre novos aspectos da Sedição de 1798, trabalha em outra novela. E acredita que ainda há o que estudar sobre 1798: “Os temas de história estão permanentemente abertos“.

Por que o episódio da Sedição de1798 o mobiliza tanto?
Pelo dever de insistir para que a Bahia coloque lembranças físicas, culturais e educacionais do movimento de 1798.

Aí estão quatro mártires brasileiros.

O Brasil só comemora o martírio de Tiradentes na Inconfidência Mineira, mas, sem fazer comparações, o 1798 tem uma dimensão bastante maior. Porque está lutando pelo fim completo da escravidão, pela separação da Bahia do império português e pelos direitos das pessoasquetrabalham.

Os mártires eram negros? Eles eram pardos, mestiços.

Nós, baianos, não somos brancos, somos mestiços, mulatos, usando essa palavra. Eu próprio tive pelo lado de minha avó paterna uma ex-escrava, e posso colocá-la como uma trisavó. E não há nada de extraordinário nisso.

Todos os baianos têm essas histórias. Não há baiano branco.

Uma das questões da revolta era a discriminação em relação à ascensão no trabalho, hoje chamado racismo institucional. Como o racismo se expressa na primeira década do século21?

Ele permanece. Muito embora se possa falar em preconceito, sobre esse preconceito há uma negação de outros baianos por uma questão de cor, da cor da pele. Isso é um absurdo porque a cor da pele é uma questão de clima. Os climas mais quentes fazem pessoas de pele negra. Os climas de países pouco tomados pelo sol fazem os chamadosbrancos.

Considera que o Movimento de 1798 ainda é pouco estudado?

Ele ainda não é estudado. Eu trabalho com este tema há muitos anos. Foi tema do meu concurso para professor e doutorado da Ufba. Eu pesquisava temas de educação, para atender um projeto do nosso inesquecível Anísio Teixeira. Ele desejou uma pesquisa mais larga e profunda sobre a educação na Bahia. No Arquivo Público do Estado da Bahia eu encontrei o que a Bahia ainda tinha da documentação referente ao 1798. Aí aprofundei-me.

Esgotou o assunto?

Acho que ainda está aberto. Em história não há tema fechado. E o nosso 1798 ainda está pedindo mais dedicação dos historiadores. Eu próprio, reconhecendo os buracos que ainda existem na história do 1798, voltei à pesquisa, agora em torno das mulheres que estão nos documentos de 1798. Não apenas a madrinha de Manuel Faustino dos Santos Lira, mas as mulheres negras, mães ou parentes dos que foram enforcados e esquartejados.

Quais seriam as bandeiras hoje do povo se essa sedição fosse atualizada?

Acabar com a escravidão no Brasil. Ela ainda existe. Acabar com a escravidão no mundo. Nesta altura, século XXI, ainda se calcula que existam no mundo 25 milhões de escravos. É a exploração do ser humano pelo ser humano. É lamentável, mas continua aí.

O senhor contou o episódio de 1798 de forma literária. Assim é possível atingir mais pessoas?

Acredito. Todo o livro de história pede o estudo, que o leitor raciocine e abra um horizonte para novas interrogações. Assim como meus trabalhos sobre o 1798 não são a última palavra, todos os temas de história estão permanentemente abertos.

Todo o livro de história pede o estudo, que o leitor abra um horizonte para novas interrogações.

jul 30 10

Eleição de Gláucia Lemos

by admin

A nova acadêmica da Academia de Letras da Bahia, Gláucia Lemos, foi eleita em 29 de julho de 2010 para assumir a Cadeira 14 que teve o acadêmico Epaminondas Costa Lima como seu último ocupante.

Gláucia Maria de Lemos, é uma escritora brasileira, nascida em Salvador, Bahia, autora de vários títulos de literatura infanto-juvenil, como a coleção “Marujo Verde”, com quatro volumes publicados, mas também de contos, ensaios, resenhas e romances, alguns dos quais premiados (”O Riso da Raposa”, pela Academia de Letras da Bahia, em 1985, “A Metade da Maçã”, pela Secretaria de Cultura do Recife, em 1988, “As Chamas da Memória” pela União Brasileira de Escritores – Rio de Janeiro, em 1990 e “Bichos de Conchas”, vencedor do II Prêmio de Literatura da UBE/Scortecci, em 2007). A sua obra publicada é, praticamente na sua totalidade, prosa, exceptuando o livro de poesia infantil “O Cão Azul”. Tem, contudo, disseminada em várias páginas da Internet, alguma poesia da sua autoria.

jul 16 10

Encontros Literários da ALB #9

by admin

Na nona edição dos Encontros Literários da Academia de Letras da Bahia apresentaram-se o acadêmico Aramis Ribeiro Costa e o escritor convidado Carlos Barbosa. As comentaristas convidadas foram Ângela Vilma e Janaína Amado.

“Tio Edson”

Comentários from direitodopovo on Vimeo.

Escritor Carlos Barbosa from direitodopovo on Vimeo.

jun 19 10

Encontros Literários da ALB #8

by admin

Desta feita o evento Encontros Literários contou com a presença do acadêmico, poeta e escritor Fernando da Rocha Peres, a escritora e jornalista Kátia Borges e foi moderado pelo acadêmico e escritor Aleilton Fonseca. Ainda foi comentado pelo professor Francisco Lima e o jornalista Nilson Galvão.

Fernando da Rocha Peres responde sobre a paixão pela Ibéria

Escritora Kátia Borges

jun 11 10

Antônio Brasileiro toma posse como novo imortal

by admin

Antônio Brasileiro é conduzido pelos acadêmicos a assinar o termo de posse.

Logo após discursa sobre a Cadeira 21 e sobre o fato de ter virado personagem de Jorge Amado. Antônio Brasileiro – O Trovador de Feira de Santana.

Ruy Espinheira Filho sauda Antônio Brasileiro

Fotos do Evento

Antônio Brasileiro concede entrevista a TV