A Academia de Letras da Bahia celebra a obra de Lídia Jorge

A Academia de Letras da Bahia celebra a obra de Lídia Jorge

A escritora portuguesa Lídia Jorge foi anunciada no dia 2 de Julho como vencedora do prêmio Camões 2026, o mais importante reconhecimento da literatura em português. Aos 80 anos, a autora passou a ser editada recentemente no Brasil pela Autêntica Contemporânea, que publicou seus romances “Misericórdia” e “Diante da manta do soldado”.

O júri destacou sua ‘prosa poética densa’, que aborda o passado ditatorial de Portugal, a condição feminina e o impacto das transformações históricas na vida cotidiana. A autora receberá 100 mil euros, valor concedido por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional do Brasil e do Governo de Portugal, além de um diploma assinado pelos presidentes dos dois países.

Os jurados nesta edição foram o professor José Carlos Seabra Pereira, da Universidade de Coimbra; a professora, poeta e ensaísta Ana Mafalda Leite, da Universidade de Lisboa; a professora e pesquisadora Lucia Santaella, da PUC-SP; o professor, jornalista e historiador brasileiro José Ribamar Bessa Freire; o escritor e crítico literário angolano Lopito Feijó; e a escritora, poeta e professora Odete Semedo, de Guiné-Bissau.

É a terceira vez seguida em que o Camões reconhece uma escritora mulher – depois da angolana Ana Paula Tavares em 2025 e da brasileira Adélia Prado em 2024 –, uma sequência inédita para o prêmio.

Romancista, contista e autora de uma peça de teatro, Lídia Guerreiro Jorge nasceu em Boliqueime, região do Algarve, no Sul de Portugal, em 1946. Estreou na literatura em 1980 com o romance “O Dia dos Prodígios”, obra associada ao impacto da Revolução dos Cravos e à transformação de Portugal após o fim da ditadura salazarista. Antes de se firmar como uma das principais vozes da literatura portuguesa contemporânea, foi professora e viveu em Angola e Moçambique.

Entre seus livros mais conhecidos estão “A Costa dos Murmúrios”, “O Dia dos Prodígios”, “O Vento Assobiando nas Gruas”, “Misericórdia” e “Diante da manta do soldado”. “A Costa dos Murmúrios”, publicado em 1988, tornou-se uma das obras centrais de sua carreira ao abordar a Guerra Colonial portuguesa a partir de uma perspectiva feminina e crítica à narrativa oficial do colonialismo.