ALB promove palestras sobre centenário de Ariovaldo Matos
Além das palestras a Academia está com uma exposição na galeria Juarez Paraíso
Na próxima segunda-feira, 24 de agosto, celebra-se o centenário de nascimento do jornalista, escritor e dramaturgo Ariovaldo Matos. A data será lembrada na Academia de Letras da Bahia (ALB) com palestras, às 17h, com a professora Mabel Veloso (Ufba) e com a acadêmica e professora Edilene Matos. Também será exibido um vídeo com depoimento do escritor Antônio Torres, membro da ALB e da Academia Brasileira de Letras (ABL). O evento é gratuito e aberto ao público.
Edilene Matos conta que vai destacar o ser humano. “Na minha fala trago um soneto de Florisvaldo Mattos dedicado a Ariovaldo. Também vou apresentar depoimentos de pessoas que convieram com ele, como Jorge Amado, Guido Guerra, Otto Jambeiro, Glauber Rocha, entre outros”, diz.
Já a professora Mabel Veloso vai falar do ativismo político do escritor, dos arquivos e das peças que ele escreveu e que foram censuradas. “Vou falar sobre o arquivo de Ariovaldo Matos, que foi meu objeto de pesquisa no doutorado em Literatura e Cultura, em 2018. É um arquivo caracterizado pela dispersão, que condiz com a trajetória do próprio Ariovaldo Matos, definido por Guido Guerra como um “hóspede da tempestade”. O arquivo preserva documentos representativos de sua trajetória como escritor, contemplando manuscritos de contos e romances; assim como aqueles que registram a circulação de suas produções teatrais nos veículos de imprensa e nos órgãos de censura durante o período da Ditadura Militar”, afirma.
Além da palestra, a Academia de Letras da Bahia está com uma exposição na Galeria Juarez Paraíso que resgata um pouco da trajetória de Ariovaldo Matos. São fotos da família, recortes de matérias na imprensa, sobretudo referentes às censuras de suas peças de teatro, fotos de alguns documentos de premiação, além de obras (livros) do escritor. A exposição é aberta ao público e pode ser visitada de segunda à sexta-feira, das 14h às 17h, na sede da ALB, em Nazaré.
Minibio
Ariovaldo Magalhães Matos, jornalista e dramaturgo baiano, nasceu em 1926, na cidade do Salvador. Atuou como editor do jornal O momento, órgão do Partido Comunista, o que acabou por influenciar suas atividades literárias, iniciadas em 1955, com a publicação do romance Corta Braços e do livro de contos A dura lei dos homens, detentor do Prêmio Prefeitura Municipal de Salvador.
O autor ainda publicou os romances: Os dias do Medo (1968), Anjos Caiados (1979), Colagem desvairada em manhã de Carnaval (1981); tendo, ainda, sido publicada postumamente, a obra A Ostra Azul, organizada por Guido Guerra.
Em 1965, publicou o volume de contos Últimos sinos da Infância, cujo conto “Desembestado” foi adaptado para o teatro com o nome A Escolha ou o Desembestado. A peça encenada no Teatro Santo Antônio, sob direção de Orlando Senna, ganhou o Prêmio Jorge Amado para Dramaturgia, instituído pela Fundação Teatro Castro Alves.
Em 1969, estreou sua segunda peça no Teatro Castro Alves, A Engrenagem. No ano seguinte, A Escolha ou o Desembestado estreou no Teatro Paiol em São Paulo, onde ficou em cartaz por seis meses.
Produzindo ao longo da Ditadura Militar, Ariovaldo buscou provocar o espectador para a reflexão acerca da realidade conturbada do Brasil. As críticas sociais presentes em seus textos, motivaram sua prisão em 1964, e condenação em 1970, bem como o veto e a mutilação dos seus textos. Ariovaldo Matos, faleceu em 8 de julho de 1988, deixando aos cuidados dos filhos e do amigo Guido Guerra, o seu espólio.
