Conselho Estadual de Cultura aprova tombamento do Palacete Góes Calmon
Sede centenária da Academia de Letras da Bahia torna-se patrimônio cultural baiano
Festa no mundo das letras. O Conselho Estadual de Cultura da Bahia – CEC aprovou nesta terça-feira (02.6), por unanimidade, o tombamento definitivo do Palacete Góes Calmon, sede da Academia de Letras da Bahia – ALB desde 1983.
A decisão garante juridicamente a conservação do imóvel centenário localizado na Av. Joana Angélica, 198, Nazaré, e favorece a captação de recursos para manutenção e conservação das instalações.
A medida será promulgada no Diário Oficial e representa uma conquista no que tange à conservação física do imóvel, mas também e, principalmente, à história que o Palacete guarda num importante acervo documental e bibliográfico que retrata a história de Salvador e do Brasil.
“O tombamento não preserva só a edificação. Preserva a memória de quem fez e faz literatura e cultura há mais de um século em nosso Estado”, afirma o escritor Aleilton Fonseca, atual presidente da ALB.
A decisão do Conselho de Cultura encerra um processo iniciado há cinco anos na gestão de Ordep Serra e que continuou tendo prioridade na gestão atual. Com o tombamento o prédio ganha proteção legal e qualquer demolição, ou descaracterização, passa a ser proibida por lei.
O imóvel entrará na lista prioritária de editais do IPHAN, BNDES e leis de incentivo. Fica, ainda, garantida que a manutenção do bem tombado passa a ser também dever do Estado, não apenas da Academia. “Ganhamos estabilidade institucional definitiva. Agora temos um patrimônio, não apenas uma sede”, avalia Aleiton Fonseca.
A ALB agradece ao Conselho Estadual de Cultura, ao IPAC/ Secretaria de Cultura do Estado e aos conselheiros pela sensibilidade histórica. “O parecer da conselheira Selma Sousa foi brilhante, sensível, preciso e consistente”, diz o presidente da Academia. A ALB aguarda a publicação do decreto no Diário Oficial e a elaboração, junto ao IPAC, do Plano de Gestão e Conservação do Palacete.
Quem quiser pode agendar uma visita guiada ao Palacete Góes Calmon para conhecer seu rico acervo através do site ou acompanhar as atividades pelo Instagram da ALB @academiadeletrasdabahia
Patrimônio
Segundo pesquisa do arquivista da ALB, Bruno Rosário, o antigo casarão, localizado no bairro de Nazaré, pertenceu a Inocêncio Marques de Araújo Góes Junior (1839-1897), advogado e político.
Por ocasião do casamento do seu sobrinho e filho de criação, Francisco Marques de Góes Calmon, o Palacete foi doado ao mesmo em 1897. Mais tarde, Góes Calmon se tornaria banqueiro, advogado e governador da Bahia de 1924-1928.
Ativo colecionador, amante das artes, de família tradicional, Góes Calmon conservou no Palacete o aspecto imponente dos prédios ecléticos do final do século XIX e início do século XX, construídos em centros de terreno, com jardins laterais, escadarias e demais elementos decorativos: painéis de azulejos, balaustradas, porão, fonte de água, estatuetas.
O Palacete ficou sob a posse da família Góes Calmon de 1897 a 1943, quando, após o falecimento de Francisco Marques de Góes Calmon em 1932, a Casa e suas coleções foram adquiridas pelo Governo Estadual para abrigar a sede da Pinacoteca do Estado e o Museu do Estado, inaugurados em 2 de julho de 1946. Entre os anos de 1970 e 1983, o Palacete foi sede do Museu de Arte da Bahia. O acervo era basicamente composto por mobiliário antigo, azulejos, esculturas e ourivesaria.
Em 7 de março de 1983, quando a ALB completara 66 anos de fundação, o Governo do Estado fez a doação do Palacete Góes Calmon à Academia de Letras da Bahia, que passou a ser sede da instituição, após longo período no prédio do Terreiro de Jesus, Pelourinho, centro histórico de Salvador.
