Projeto Oyá das Letras movimenta Academia de Letras da Bahia
De 22 a 24 de julho de 2026, o Instituto Reparação, em parceria com a Academia de Letras da Bahia (ALB), realiza a 2ª edição do Oyá das Letras. Como parte da programação do Julho das Pretas, o encontro literário promove debates sobre literatura, memória e educação antirracista e fortalecer sua presença nos espaços de reconhecimento cultural. O evento acontece na ALB e reúne escritoras, pesquisadoras, professoras, artistas e lideranças negras para celebrar a produção intelectual de mulheres negras. Com o apoio da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, o evento é gratuito e aberto ao público.
Para a presidenta do Instituto Reparação, Rita Lôbo, o Oyá das Letras é mais do que um evento literário, constitui um instrumento de preservação da memória e de enfrentamento ao racismo. “O Oyá das Letras consolida-se como um espaço de encontro entre literatura, ancestralidade, memória e protagonismo feminino negro, reafirmando a potência das escrevivências e da produção intelectual de mulheres negras”, afirma a presidenta.
“A Academia de Letras da Bahia é um espaço que tem compromisso com a pluralidade, a diversidade e a promoção da cultura baiana. Estamos sempre abertos a projetos como este que agregam história, compromisso social e literatura” afirma o presidente da ALB, professor Aleilton Fonseca, sobre a parceria com o Instituto Reparação e o projeto Oyá das Letras.
Sarau literário
A programação tem início no dia 22 de julho, com a mesa “Escrevivências: memória, identidade e resistência na literatura negra”, reunindo escritoras e pesquisadoras para refletir sobre ancestralidade, identidade, memória e escrita como instrumento de resistência. Outro destaque da programação é o lançamento do livro “Monstruosa”, da escritora Amanda Julieta. A obra reúne 12 contos protagonizados por mulheres negras e lésbicas, apresentando narrativas que tensionam padrões sociais e ampliam a representatividade na literatura contemporânea. Após o lançamento, a autora participa de uma sessão de autógrafos com o público.
No dia 23 de julho, o Oyá das Letras promove a mesa “Literatura Negra em Movimento: Educação Antirracista, Representatividade e Novas Narrativas”, discutindo o papel da literatura na formação crítica, na valorização da representatividade e nas novas formas de produção e circulação da escrita negra. Na sequência, será realizado o Sarau Oyá das Letras, um dos momentos mais aguardados do evento. Com microfone aberto, o sarau convida escritoras, poetas, estudantes e o público em geral para compartilhar poesias, textos autorais, leituras e performances, transformando o encontro em um espaço coletivo de escuta, celebração e expressão artística.
No dia 24 de julho, a programação contempla a mesa “Mulheres Negras na Literatura Contemporânea: desafios e caminhos”, abordando temas como mercado editorial, publicação independente e circulação de autoras negras. Na mesma tarde, será realizada a Mesa Especial da “Independência da Bahia ao Julho das Pretas: resistência, memória e protagonismo das mulheres negras”, com pesquisadoras, escritoras e lideranças culturais para discutir o legado de mulheres negras na luta pela Independência da Bahia e sua permanência na construção da memória coletiva.
A programação inclui ainda a apresentação das Caretas do Mingau, tradicional manifestação cultural do município de Saubara, e reflexões sobre a trajetória de Maria Felipa, heroína da Independência da Bahia. Encerrando a programação, acontece a cerimônia de entrega do Troféu Dandara dos Palmares, homenagem concedida a lideranças femininas negras em reconhecimento às suas contribuições para o fortalecimento da comunidade negra e para a promoção da equidade racial e da justiça social.




