Escritor mineiro lança ‘Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor do seu tempo e de seu país’, no dia 11 de abril, na Academia de Letras da Bahia
Pesquisador da obra de Jorge Amado, Eduardo de Assis Duarte defende unidade nos romances do autor baiano
A Academia de Letras da Bahia (ALB) realiza, no dia 11 de abril, sexta-feira, em parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado, o lançamento de ‘Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor do seu tempo e de seu país’, de Eduardo de Assis Duarte (UFMG). Com publicações sobre Machado de Assis, Conceição Evaristo e diversos autores, desta vez, o pesquisador e crítico mineiro mergulha novamente na obra do escritor baiano, cujos romances “proletários” dos anos 1930 a 1950 foram objeto de seu primeiro livro, ‘Jorge Amado, romance em tempo de utopia’, há tempos esgotado.
Nesta nova incursão, Duarte se dedica à produção amadiana como um todo e busca ir além da interpretação que aprisiona o universo de 25 romances, publicados ao longo de seis décadas, em duas fases rígidas demarcadas por um antes e um depois da publicação de ‘Gabriela, cravo e canela’, em que o romancista supera o foco exclusivo na luta de classes emanada do pensamento socialista.
Em ‘Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor do seu tempo e de seu país’, o pesquisador vale-se de reflexões críticas contemporâneas, a começar pela interseccionalidade teorizada por Angela Davis, a fim de refletir sobre pontos de convergência entre ‘Cacau’, ‘Suor’, ‘Jubiabá’ e ‘Capitães da areia’, não apenas entre si, mas igualmente com ‘Gabriela’, ‘Teresa Batista’, ‘Tieta’ e escritos posteriores. Ele explora, ainda, as confluências entre ‘Quincas Berro d’água’, ‘O compadre de Ogum’ e ‘Tenda dos milagres’, a partir de um olhar atento à representação das diferenças, convergências e diálogos neles presentes, que remetem ao multifacetado “arquipélago cultural brasileiro”, com o qual as histórias amadianas dialogam.
Estudioso da obra de Jorge Amado há anos – o encantamento começou ainda na adolescência, quando leu ‘Capitães da Areia’ (1937) -, nesse novo trabalho, Eduardo apresenta a tridimensionalidade na obra de Jorge Amado, que une gênero, classe e etnicidade, como elemento unificador.
“Esses três vetores, para mim, estão presentes em toda a obra do Jorge Amado. Seja antes, seja depois de Gabriela. E, mesmo depois de Gabriela, ele também está preocupado com a opressão econômica, com a opressão racial, com a opressão das mulheres, a opressão de gênero. Eu penso que a obra do Jorge Amado tem esse elemento unificador. Ante de morrer, ele disse que sua obra foi totalmente voltada contra os preconceitos e a favor do povo, que eles entenderam como o povo, essa entidade múltipla, facetada, que compreende o lavrador, o operário, o trabalhador que é explorado economicamente, mas que compreende também a mulher, que também é subordinada ao machismo, ao patriarcado e ao negro vítima do racismo. Gênero, classe e etnicidade são onipresentes na obra do Jorge Amado, e isso até então estava pouco explorado, e é o que eu tento desenvolver com mais detalhes nesse trabalho”, explica.
O lançamento de ‘Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor do seu tempo e de seu país’, de Eduardo de Assis Duarte, acontece na Academia de Letras da Bahia (Av. Joana Angélica, 198, Nazaré), a partir das 17h, com a presença do autor e sessão de autógrafos. O evento é gratuito e aberto ao público.
Sobre Eduardo de Assis Duarte
Integra o Programa de Pós-graduação em Letras – Estudos Literários, da Faculdade de Letras da UFMG e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade – NEIA, da mesma instituição. Autor de Jorge Amado, romance em tempo de utopia (1996), Literatura, política, identidades (2005) e de Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor de seu tempo e de seu país (2024). É organizador, entre outros, de Machado de Assis afrodescendente (3a ed., 2020); Literatura e Afrodescendência no Brasil – antologia crítica (4 vol., 2a Reimpr., 2021); Literatura afro-brasileira – 100 autores do século XVIII ao XXI (2a ed.,2019) e Literatura afro-brasileira – abordagens na sala de aula (2a ed.,2019). Integra a Comissão Editorial do literafro – Portal da Literatura Afro-brasileira, com informações biobibliográficas, críticas e excertos de cerca de 230 autoras e autores afro-brasileiros –, disponível no endereço: www.letras.ufmg.br/literafro
Serviço
O QUE: LIVROS NA MESA – Lançamento de Narrador do Brasil – Jorge Amado, leitor do seu tempo e de seu país, de Eduardo de Assis Duarte, com a presença do autor
QUANDO: 11 de abril, sexta-feira, 17h
ONDE: Academia de Letras da Bahia – Av. Joana Angélica, 198, Nazaré
QUANTO: Gratuito e aberto ao público