Foto: Pico Garcez

Ordep Serra lança o livro Sofia e o Centauro da Televisão

Obra reúne gravuras de Alessandro Alvim e aproxima a poesia das artes plásticas

O acadêmico e antropólogo Ordep Serra acaba de lançar o livro “Sofia e o Centauro da Televisão”, com ilustrações do designer e editor de arte do jornal O Globo, Alessandro Alvim. A personagem principal é inspirada na palavra grega sophia, que representa a sabedoria. Na trama ela assume diferentes formas, muda de nome e conduz o leitor por um universo onde convivem filosofia, mitologia, religiosidade e fantasia.

“Eu a vejo como Deus no feminino. Gostei de pensar a divindade assim, como uma mulher desafiadora, sensual, sábia, criativa e incontrolável. Nos meus poemas, ela muda de forma, assume diferentes nomes e aparências”, afirma Ordep. “A concepção de sabedoria dos pensadores da Grécia arcaica, que ainda se achavam seduzidos pelo mito, me inspirou igualmente. Mas minha Sofia é também baiana, com muito axé”, arremata o autor.

Já o Centauro é uma figura que reflete a experiência humana em uma sociedade marcada pela tecnologia. “O Centauro tem saudade da sabedoria que não alcança, que nunca teve, que deseja, mas teme. Tanto que ora a persegue, ora foge dela”, comenta o escritor.

A publicação inaugura a coleção DOIS PONTOS, da Villa Olívia, dedicada ao diálogo entre poesia e artes visuais e reúne duas trajetórias consolidadas. Autor de mais de 30 livros, Ordep construiu uma obra que transita entre poesia, ficção, ensaio e tradução, além de uma carreira acadêmica ligada à antropologia e aos estudos clássicos, sendo o primeiro a traduzir os Hinos Órficos para a língua portuguesa.

Já Alvim desenvolve uma produção visual marcada por seres híbridos, mitológicos e fantásticos, ao mesmo tempo em que acumula reconhecimento no design editorial, com mais de uma centena de prêmios nacionais e internacionais.

As gravuras de Alvim não ilustram literalmente os poemas, mas oferecem novas possibilidades de leitura. “Parti dos poemas, mas de forma solta onde a poética das figuras mitológicas se impõe e dialoga com o trabalho do Ordep. O trabalho é aberto e sem ser literal”, explica o designer.